Fobias sonoras (ou poema para a menina comendo maçã do meu lado na biblioteca)

O som do dente batendo no talher

cravando na maçã

quebrando o cereal

mordiscando a unha.

 

O som do canudinho no fundo vazio do copo

da saliva passando pela garganta

estalando no céu da boca

umedecendo os lábios.

 

A solidão te deixa com umas frescuras indizíveis.

Marcelo comendo mexericas

Minha vó mastigando qualquer coisa

 

(é a dentadura, esqueceu?)

Não sei quem é mais nojento, eles ou eu

Provavelmente eu.

 

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Sobre L.

Luiza S. Vilela escreve. E basicamente é isso. Mas, fora isso, nasceu acidentalmente em São Paulo, é capixaba de criação and coração e carioca por opção desde 2005. Fez letras na PUC, mestrado em literatura por lá também, trabalhou no mercado editorial um tempo e hoje freela de casa com a catiora Kate cochilando em seu pé. Acredita no vinho, no amor e no feminismo como salvação para todo o mal. Tem bem mais no www.luizaescreve.com Ver todos os artigos de L.

2 respostas para “Fobias sonoras (ou poema para a menina comendo maçã do meu lado na biblioteca)

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