Turning back time, ou a falta que fazem as férias escolares

O início das férias de verão quando se é apenas estudante talvez seja a melhor coisa do mundo. Melhor que sexo, amor, dinheiro, pizza e todas essas coisas supervalorizadas de hoje em dia. Depois que desembarquei no Rio e antes do estágio virar uma realidade, algumas últimas semanas de aula e primeiras semanas de férias foram tão marcantes e ficaram tão coladas na minha memória que são motivo de chororô até hoje. E foram dias tão comuns, mas cheios de uma sensação de liberdade e dever cumprido que há muito eu não sinto. Quando não se é mais apenas estudante as férias se transformam numa fuga – você vai sabendo que a merda só vai estar maior quando você voltar. E você vai mesmo assim, e enche a cara mesmo assim, e gasta muito mais do que devia mesmo assim, porque dinheiro você ganha de novo, mesmo que isso signifique estar cinco vezes mais estressado um mês depois das férias do que um mês antes. A volta às aulas é outra coisa. Três meses depois você já está quase implorando pra voltar. Se for criança vai comprar material escolar na Gecore, encher o carrinho de cacarecos que você vai perder na terceira semana de aula, mas que são imprescindíveis mesmo assim. Se for mais velho vai aproveitar aquelas duas primeiras semanas em que porra nenhuma acontece na faculdade pra beber cerveja todos os dias e compartilhar as loucuras feitas em Guarapari, Paris, Londres ou ali no posto 9 mesmo.

Eu lembro do vestidinho e da cor das havaianas que eu estava usando em algum dia do início de dezembro de 2006, quando saí de cabelos molhados e mala já pronta pra entregar o último trabalho na PUC antes de me mandar pra terrinha. Os sorrisos e os pulinhos de alegria num pilotis já minguado de gente, a paradinha na Carga Nobre pra comprar uma pasta bonita pro trabalho que eu sabia que ia ser 10. Aqueles cinco minutos de papo bom com a professora, dois beijinhos e boas férias, pra você também querida, e a caminhada feliz até o Shopping da Gávea pra almoçar com uma amiga antes de pegar o taxi pro aeroporto. O céu azul azul, o cheiro de comecinho do verão que só eu sinto porque fui eu que inventei. Sou dessas otimistas incuráveis, mas fica difícil imaginar que fica melhor que isso.

Pronto, pronto, passou – até porque meu cabelo de hoje é muito mais bonito.

Anúncios

Sobre L.

sou desesperadamente alice Ver todos os artigos de L.

3 respostas para “Turning back time, ou a falta que fazem as férias escolares

  • Lígia

    com o calor massacrante que faz hoje em vitória me peguei também desejando muito as férias de 3 meses que a ufes me dava.
    mesmo quando eu estagiava e tinha que ir pro centro de ônibus num calor como o de hoje era, a melhor época possível.
    o engraçado é que no ano passado eu não senti a falta que tô sentindo nesse ano. deve ser a prova no fim de janeiro e a outra logo depois do carnaval, que vão me tomar [quase] todo o descanso que estão me assombrando.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: