Química

Sou uma vampira. Personagem de um conto fantástico. Heroína de uma trama pós futurista. Quando estávamos juntos eu não tinha muita certeza se pintava o cabelo de cores absurdas porque gostava ou se era pra te afrontar. Talvez um misto dos dois. Mas também, não é pra perturbar algum tipo de ordem que a gente pinta o cabelo de verde at all? Sempre me espanta que o mundo seja tão bem dividido entre pessoas que vestem um personagem e pessoas que vestem panos que cobrem o corpo. Pouco importam os outros na verdade. Terça-feira, meia noite, chego em casa pós social intenso no boteco do momento. Todas as outras garotas vão tirar a maquiagem e cair na cama. Eu tenho mechas azul-esverdeadas emoldurando meu rosto, minha pele zero bronzeada faz gritarem os olhos vermelhos e essa combinação química auto-infligida me deixa com uma áurea meio animalesca. Perco a conta de quantos minutos fico encarando essa criatura no espelho.

Às vezes nem eu acredito em mim.

woods

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Sobre L.

Luiza S. Vilela escreve. E basicamente é isso. Mas, fora isso, nasceu acidentalmente em São Paulo, é capixaba de criação and coração e carioca por opção desde 2005. Fez letras na PUC, mestrado em literatura por lá também, trabalhou no mercado editorial um tempo e hoje freela de casa com a catiora Kate cochilando em seu pé. Acredita no vinho, no amor e no feminismo como salvação para todo o mal. Tem bem mais no www.luizaescreve.com Ver todos os artigos de L.

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